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Prólogo - Safira de Prata; LIVRO II


Dezoito anos antes

E não há nesta terra bárbara um obstáculo cruel sequer

Que me faça desistir de abrigar amorosamente nos braços

O corpo cálido e delicado daquela que chamo de minha mulher

Pois sem seu calor tenro, solitária e gelidamente me estilhaço...

—O que você tem aí, querido?

Howl não estava prestando atenção na leitura deles. Temise percebeu que, por mais que ela gostasse de poesia romântica, seu filho detestava. Ele achava “meloso e bobo” demais. Ele gostava dos poemas mais simples e reflexivos, com palavras que conseguiam fazê-lo aprender e, bom... Refletir.

Seu filhote era um pequeno pensador. Mas ainda era uma criança que se distraía fácil, especialmente quando estava entediada.

—Uma pedra da lua.

Temise sorriu para o filho, os olhos brilhando, as sobrancelhas erguidas. Ela colocou o livro em suas mãos de lado.

—Da lua, é?

O garotinho assentiu, muito sério, estreitando os olhos dourados desconfiados para a expressão divertida da mãe. As ondas quebravam furiosamente na Baía das Pedras, mas nada de diferente até então. O mar a noroeste de Ultha sempre foi irascível, imprevisível.

—Ela é branca e prateada, como seu cabelo e seus olhos.

—Entendo — a mulher fez questão de assumir um semblante austero, antes que Howl se magoasse com a diversão reluzindo em suas íris. Seu filho era um garotinho orgulhoso. — Bom, e quem disse a você que ela é uma pedra da lua? Você a viu caindo de lá?

—Ahn... Não.

—A deusa Diana a deu a você?

—Não — o menino franziu a testa. — Que pergunta boba.

Temise riu, tirando um pouco de areia dos joelhos. O céu estava nublado e o vento soprava com força no litoral de Arye, mas sempre fora assim. Eles terminavam cheios de partículas pequenas de pedra enfiadas nas roupas quando iam à Baía das Pedras. Mas ela não se importava. O lugar podia ser um pouco inóspito, mas era um dos poucos onde a Diana podia se sentir como ela mesma. Livre, sem amarras ou restrições, sem pessoas esperando coisas dela e do seu filho pequeno. Eles eram a família do alfa, sabiam que não podiam fugir para sempre de algumas responsabilidades... Mas aqueles poucos momentos roubados de liberdade eram o bastante para mantê-la sã.